Como os artistas veem o mundo — uma jornada sensorial com Will Gompertz

Imagine olhar o mundo com os olhos atentos de um artista — enxergando além do que todos veem, descobrindo sentidos escondidos no cotidiano. É isso que o autor Will Gompertz nos convida a experimentar em Como os artistas veem o mundo (título original: See What You’re Missing: New Ways of Looking at the World Through Art), lançado em português pela Zahar, em 2023.

Um convite para os pequenos (e grandes) exploradores visuais

O livro apresenta as trajetórias de 31 artistas, de épocas e estilos diversos, unidos por um ponto em comum: o olhar. Todos valorizam o ato de prestar atenção ao que muitas vezes passa despercebido, ao detalhe, à sensação, ao instante. Enquanto a maioria de nós atravessa os dias de forma automática, correndo de um lugar a outro sem reparar no que está ao redor, esses artistas cultivaram a habilidade de ver profundamente.

A proposta de Gompertz é nos mostrar que esse exercício não pertence apenas a pintores, escultores ou performers: todos somos capazes de ativar nossa sensibilidade e de treinar a nossa percepção.

Do olhar automático ao olhar atento – adaptação do conceito ao universo escolar

O autor nos lembra que educar o olhar é também uma forma de educar a presença. Ao invés de reduzir o ensino artístico à cópia ou à repetição de modelos e estilos já conhecidos, talvez fosse mais interessante acompanhar os artistas em sua jornada de escolhas: o que cada um decidiu expressar, qual o seu contexto, qual caminho seguiu e de que modo transformou sua visão em criação. Assim, a aprendizagem se torna menos sobre reproduzir e mais sobre dialogar e descobrir formas de expressão autênticas, que incentivem o exercício da criatividade e a realização de propostas escolares que realmente façam sentido para cada sujeito.

Will Gompertz, em suma, quer nos dizer que cada produção artística nasce de uma forma singular de ver o mundo, ainda que, depois de pronta, ganhe novas narrativas e classificações conforme o público que a encontra. Uma escultura, uma tela, uma instalação não contam apenas a história de seu criador: dialogam com quem olha, com o lugar em que estão expostas, com as memórias e afetos de cada observador.

A multiplicidade de olhares

O livro evidencia diferentes maneiras de olhar: o olhar para si, como nas esculturas xochipala que devolvem ao espectador a própria humanidade; o olhar para o incômodo, presente na obra de Yayoi Kusama, que transforma desconforto em linguagem; o olhar através da dor, como Frida Kahlo, que recriou em imagens sua experiência mais íntima; e também olhares políticos, olhares sobre o cotidiano aparentemente banal, olhares afetivos que dão forma a sentimentos invisíveis, entre muitos outros…

Todos esses exemplos revelam que a arte é tanto sobre o que o artista vê quanto sobre o que desperta em nós ao olhar.

Um chamado à sensibilidade

Em um tempo marcado pelo excesso de imagens, Como os artistas veem o mundo nos convida a desacelerar e a recuperar o encantamento pelo simples ato de observar. Para educadores, pais ou leitores curiosos, o livro é um lembrete de que ver com atenção é um caminho para cultivar a sensibilidade, o estar presente — não apenas na arte, mas em toda experiência de vida.

E este é apenas o começo da conversa. Em posts futuros, vamos explorar mais sobre esse tema e trazer dicas de livros e artigos que ampliam esse universo. Fique por aqui e acompanhe. Há muito mais para descobrirmos juntos.

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