Fases da Preensão do Lápis: dos Primeiros Traços à Escrita

A maneira como a criança segura o lápis passa por transformações ao longo de seu crescimento, acompanhando o progresso de suas habilidades motoras e cognitivas. Cada etapa de preensão reflete não apenas o amadurecimento físico, mas também a conexão entre a coordenação motora e as experiências que enriquecem seu repertório criativo.

Neste artigo, exploraremos as fases de desenvolvimento da preensão do lápis, os materiais mais indicados para cada etapa e atividades que podem apoiar esse processo de forma saudável e prazerosa.

  1. Preensão Palmar ou Primitiva

Ocorre por volta dos 2 anos, quando a criança começa a demonstrar interesse pelo desenho. Nessa fase, observa-se a preensão palmar, em que a criança segura o lápis com toda a mão e utiliza, principalmente, o movimento do braço para traçar no papel, produzindo rabiscos amplos e sem direção definida.

Os materiais mais adequados para essa etapa incluem giz de cera ou giz de quadro grossos, que são fáceis de segurar e manusear, além de papéis grandes fixados em superfícies apropriadas para o desenho.

As atividades devem estimular a criatividade livre, permitindo que a criança, mesmo com a coordenação motora ainda em desenvolvimento, explore os primeiros traços de diversas maneiras. Para isso, recomenda-se variar as posturas, como desenhar sentado à mesa, agachado ou deitado no chão e em pé, em lousas ou paredes forradas com papel. Para enriquecer ainda mais as experiências sensoriais, podem ser oferecidos materiais como tintas e espumas atóxicas, possibilitando a pintura com as mãos e a exploração de superfícies vítreas, como portas e janelas, desde que com segurança.

Todas essas atividades, combinadas com outras que estimulem o fortalecimento da articulação dos ombros como, por exemplo, arremessar bolas em cestos, brinquedos que simulem o martelar e xilofones, contribuem para o desenvolvimento do controle dos movimentos dos braços.

  • Preensão com os Dedos em Extensão       

Por volta dos 3 anos, a criança começa a desenvolver a preensão digital, segurando o lápis com os dedos em extensão. Nessa fase, o movimento do braço continua predominante, mas já há indícios de maior controle manual. Os traços começam a ganhar direção, formando círculos e linhas simples.

Os materiais mais indicados para essa fase incluem, além dos anteriormente citados, canetas coloridas grossas à base de água, esponjas, pincéis largos, argila e massinhas de modelar, que ajudam a fortalecer os músculos das mãos. Atividades como o desenho com os dedos sobre superfícies como areia ou farinha, o rasgar de papéis com um objetivo específico, a modelagem de figuras simples e brincadeiras com blocos duplos, são excelentes para promover o aprimoramento da coordenação motora, estimulando a criatividade e o desenvolvimento das habilidades manuais de forma lúdica.

  • Preensão de Transição

Por volta dos 4 anos, a criança entra na fase de preensão com quatro dedos, começando, inclusive, a apoiar o cotovelo sobre a mesa. Nessa etapa, o controle do traço se aprimora, e os desenhos passam a ter mais detalhes e intencionalidade. O lápis já é posicionado entre os dedos, embora de forma ainda pouco refinada, e o movimento do punho passa a ter mais destaque em relação ao braço. Como resultado, surgem linhas e figuras mais estruturadas.

Materiais recomendados incluem lápis de colorir grossos, triangulares ou com apoio ergonômico, além de pincéis médios para pinturas com tintas e aquarela. Para estimular a coordenação motora fina, brinquedos de encaixe e de empilhar, puzzles de poucas peças e atividades como colagem com pedaços de papel, caça a pequenos objetos em recipientes com grãos e a montagem de colares, passando tubos de macarrão em um barbante, ajudam a fortalecer os dedos e aprimorar o controle do movimento.

  • Preensão Trípode ou Madura

Entre os 5 e 7 anos, a criança desenvolve a preensão madura, considerada a forma mais eficiente de segurar o lápis, tanto para o desenho quanto para a escrita. A postura e o controle motor mais refinados permitem a realização de traços precisos e detalhados, com o lápis sustentado entre o polegar e o indicador, sendo estabilizado pelo dedo médio. O cotovelo permanece apoiado na mesa, favorecendo maior controle dos movimentos. Nesse estágio, a criança começa a planejar ativamente o que vai desenhar, criando representações que refletem suas experiências e a maneira como percebe o mundo ao seu redor.

Materiais como tesoura, lápis e pincéis finos, além de canetas de colorir ou marcadores de ponta fina, podem ser introduzidos gradualmente para atender ao crescente interesse da criança por detalhes. Atividades que exigem precisão e estimulam a coordenação visomotora, como jogos de construção, pular corda e jogar bola em grupo, são altamente recomendadas.

Conclusão

O desenvolvimento da preensão do lápis é um processo natural, que ocorre à medida que a criança explora o mundo ao seu redor e adquire novas habilidades motoras e cognitivas. É importante destacar que as fases da preensão descritas acima servem apenas como referências – não representam uma regra rígida. Ou seja, nem todas as crianças seguirão exatamente o mesmo ritmo ou atingirão os marcos destacados, no período previsto. Respeitar o tempo e as etapas individuais de cada criança é fundamental para que ela se sinta confortável e confiante ao desenhar e escrever.

Proporcionar materiais adequados, criar ambientes que incentivem a exploração e sugerir atividades lúdicas e criativas coerentes com a fase observada são ações simples, mas extremamente eficazes no apoio a esse desenvolvimento. Mais do que forçar resultados padronizados, é essencial que o adulto permita que a criança aproveite o processo, cultivando sua criatividade e expressividade desde cedo.

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