Anji Play: a Revolução do Brincar

O Anji Play é uma abordagem inovadora desenvolvida na China, nos programas públicos de educação infantil do Condado de Anji, na província de Zhejiang. Criada por Cheng Xueqin, a proposta surgiu da necessidade de repensar o papel do brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil, diante de práticas tradicionais que tendiam a controlar ou direcionar as experiências das crianças.

Origem e contexto de desenvolvimento

A gênese de Anji Play está ligada a um processo de autocrítica e investigação conduzido por profissionais locais, que perceberam um descompasso entre o planejamento institucional de atividades lúdicas e o envolvimento real das crianças. Embora os espaços e atividades fossem cuidadosamente pensados, o brincar se tornava previsível e esvaziado de sentido. A análise desse cenário evidenciou que a intervenção excessiva dos adultos restringia a autonomia e a criatividade infantil, levando Cheng Xueqin e sua equipe a reformular as práticas de modo a valorizar a iniciativa das crianças e a tornar cada experiência lúdica mais genuína e significativa.

Esse processo também dialogou com marcos legais mais amplos, como a adesão da China, em 1989, à Convenção sobre os Direitos da Criança, e o reconhecimento, em 1996, do brincar como atividade essencial na educação infantil. Nesse contexto, o Anji Play consolidou-se como uma proposta que reafirma a importância do brincar na infância, não apenas como lazer, mas como um espaço de aprendizagem e desenvolvimento integral.

Um novo olhar sobre o brincar

Na abordagem Anji Play, o brincar é concebido como uma necessidade vital e um direito da criança, e não como ferramenta instrumental de ensino. Trata-se de uma experiência autêntica que surge do desejo, da curiosidade e da imaginação, sem a imposição de objetivos preestabelecidos pelos adultos.

Cheng Xueqin enfatiza que o brincar livre permite que a criança experimente diferentes possibilidades, faça descobertas e crie soluções, desenvolvendo competências como autonomia, autoconfiança e resiliência. Essa perspectiva rompe com a visão tradicional que encara o brincar apenas como preparação para a aprendizagem formal, reconhecendo-o como a própria essência do aprender.

Ao brincar livremente, a criança não apenas explora o mundo; ela se descobre como sujeito ativo, capaz de resolver problemas, construir significados e estabelecer relações sociais e emocionais complexas. Em suma, o brincar em Anji Play não é dirigido, mas acompanhado e legitimado pelo adulto, que garante que a liberdade criativa se concretize de maneira segura e respeitosa.

Nesse contexto de liberdade, qual a importância do educador?

Quando observamos uma criança brincando sozinha, é natural questionarmos: estaria o educador cumprindo seu papel? Em Anji Play, essa pergunta revela a essência da abordagem. O educador não conduz nem impõe objetivos; sua função vai muito além da instrução direta. Ele cria ambientes ricos, diversificados e seguros, oferecendo materiais que despertam curiosidade e desafios, mas sem definir como a criança deve explorar.

A presença do adulto é discreta, porém constante: ele observa gestos, escolhas e interações, procurando compreender como a criança pensa, experimenta e constrói significado. Essa observação é reflexiva, permitindo que o educador interprete cada experiência como aprendizado legítimo.

O educador também promove a escuta ativa, valorizando as interpretações das crianças e criando momentos de diálogo ou registro — fotos, vídeos ou desenhos — para que elas reflitam sobre suas próprias trajetórias. Nesse sentido, o adulto acompanha sem intervir, apoiando a autonomia e reforçando a iniciativa e a criatividade.

Mesmo quando a criança brinca sozinha, o papel do educador permanece central: ele é guardião da liberdade de explorar, observador atento das descobertas e mediador sensível, possibilitando que experiências espontâneas se tornem oportunidades de crescimento integral.

Os princípios que regem a abordagem

Os princípios fundamentais — amor, risco, alegria, engajamento e reflexão — formam a base da abordagem Anji Play, centrada na criança:

  • Amor: criar um ambiente seguro, estável e acolhedor, com relações empáticas e consistentes.
  • Risco: Permitir que as crianças testem limites de maneira supervisionada, desenvolvendo confiança, resiliência e habilidades de resolução de problemas.
  • Alegria: garantir que a brincadeira seja prazerosa, espontânea e envolvente.
  • Engajamento: possibilitar concentração profunda e autonomia por meio de materiais de fim aberto e estímulos criativos.
  • Reflexão: oferecer momentos após o brincar para que as crianças processem, compartilhem e aprendam com suas experiências.

Conclusão

O Anji Play representa uma transformação profunda na educação infantil ao deslocar o foco da instrução para a experiência espontânea da criança. Ao reconhecer o brincar livre como princípio central e o educador como mediador sensível, a abordagem rompe com paradigmas tradicionais e valoriza o direito da criança de explorar, criar e aprender de maneira autônoma.

Nessa perspectiva, o educador deixa de ser transmissor de conhecimento e passa a ser um guardião do direito de brincar, observando, escutando e confiando na capacidade da criança de descobrir o mundo com criatividade e autonomia. E o melhor: aprende sobre desenvolvimento infantil e aprendizagem na prática.

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